De regresso ao equilíbrio
O ano 2022 foi um "annus horribilis" em muitos aspetos, apesar do progresso encorajador de muitos países no ultrapassar da pandemia de COVID. O ataque à Ucrânia pelas forças russas desencadeou tensões geopolíticas e mergulhou o mundo, e a Europa em particular, na mais grave crise energética desde a década de 1970.
O ano 2022 foi um "annus horribilis" em muitos aspetos, apesar do progresso encorajador de muitos países no ultrapassar da pandemia de COVID. O ataque à Ucrânia pelas forças russas desencadeou tensões geopolíticas e mergulhou o mundo, e a Europa em particular, na mais grave crise energética desde a década de 1970. Em resposta ao aumento da inflação, os bancos centrais de todo o mundo endureceram as suas políticas monetárias a um nível não visto nos últimos 40 anos, o que levou a perdas generalizadas nos mercados financeiros. O aumento das taxas de juro (reais) e, simultaneamente, a queda dos preços das ações garantiram que não haveria qualquer possibilidade de alguém se "refugiar" nos mercados de capitais. Tudo começou a desabar. Felizmente, assistimos, em outubro e novembro, a uma corrida de fim de ano antecipada, que continuou até dezembro.
Os investidores vão continuar a enfrentar grandes desafios em 2023. No novo ano, os mercados financeiros deverão continuar a ser marcados pela economia, pela política monetária e pela geopolítica. A inflação em particular, que regressou em grande num contexto mundial, pode ser vista como um sinal claro de crescentes desequilíbrios cíclicos e estruturais entre a oferta e a procura na economia global. Esta convulsão foi causada principalmente por incentivos monetários e fiscais excessivos em combinação com fortes alterações estruturais (demografia, desglobalização, descarbonização) e choques exógenos (COVID, Ucrânia). Para voltar a uma trajetória de crescimento sustentável e repor o nível de inflação definido pelos bancos centrais, a economia global vai ter de passar por um processo de adaptação cíclica e estrutural de vários anos no caminho de regresso ao equilíbrio.
Alocação tática de ações e obrigações.
- Na primeira metade de 2023, é provável que os mercados financeiros globais continuem a ser influenciados por um braço de ferro entre o estímulo da quebra na dinâmica da inflação e os ventos contrários decorrentes do risco acrescido de recessão.
- Embora no passado os períodos de declínio da inflação estivessem associados a um forte desempenho dos ativos de risco, o contrário tem sido verdade em ambientes recessivos.
- As persistentes tensões geopolíticas, o aumento da inflação, os riscos de abrandamento existentes para a economia global e o condicionamento dos bancos centrais deverão continuar a constituir desafios para os investidores no novo ano, antes que uma reviravolta na atividade económica possa conduzir a uma mudança nos mercados de ações.
- Do ponto de vista do futuro desenvolvimento económico esperado, devemos adotar inicialmente uma posição cautelosa relativamente aos ativos de risco.
O primeiro passo deste caminho será dado no novo ano.
Dr. Hans-Jörg Naumer